Charles Pierre BAUDELAIRE, nascido em 9 de abril de 1821, em Paris. Tendo tido infância um tanto triste, conhece logo a solidão. Um pouco mais tarde, para escapar da miséria torna-se crítico de arte e traduz os contos de Edgar Allan Poe. Sua primeira obra: a coletânea "Les Fleurs du Mal", o que lhe faz comparecer a um tribunal por atentado à moral. Em 1864,  publica em jornais alguns textos em prosa, que tinham por título "Le Spleen de Paris". 1866, Baudelaire adoece e um ano depois, em 31 de agôsto de 1867, morre nos braços de sua mãe, sob o som de Wagner. É enterrado ao lado de seu sogro, no cemitério Montparnasse.

"Baudelaire escolheu o Inferno, ou antes - pois esta última palavra afirma uma transcendência teológica - o mal" (Claude Pichois).

Don Juan nos Infernos

(As flores do mal, XV)

Quando Don Juan desceu para a onda subterrânea

E quando deu seu óbolo a Caronte,

Uma sombra mendicante, olhar arrogante como Antístenes,

Com um braço vingador e forte pegou cada remo.

Mostrando os seios pendentes e os vestidos abertos,

Mulheres se retorciam sob o negro firmamento,

E, como grande tropa de vítimas oferecidas,

Atrás dele arrastavam um longo mugido.

Sganarelle, rindo, lhe reclamava o salário,

Enquanto Don Luís com um dedo que tremia

Mostrava a todos os mortos, vagante sobre as margens,

O filho audacioso que lhe pôs a ridículo a fronte branca.

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Tremulante sob seu luto, a casta e magra Elvira,

Perto do esposo pérfido e que foi seu amante,

Parecia reclamar-lhe um supremo sorriso

Onde lhe brilhasse a douçura do primeiro juramento.

Todo endireitado em sua armadura, um grande homem de pedra

Mantinha-se à barra e cortava a vaga negra;

Mas o calmo herói, curvado sobre sua espada,

Olhava o sulco do barco e não se dignava ver coisa alguma.

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