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Um dos
maiores contistas do mundo. Nascido em 5 de agosto de 1850, seja,
como querem alguns, no château de Miromesnil, perto de
Dieppe, comunidade de Tourville-sur-Arques, seja em Fécamp,
em casa de sua avó maternal. Morto em 6 de julho de 1893, atingido
pela sífilis. Amigo de Flaubert e Zola escreveu cerca de 300 contos.
Romances : Une
vie (1881), Bel-Ami (1885), Pierre et Jean (1888).
Inspirado
pelo filósofo Arthur Schopenhauer, Maupassant manifestava o
pessimismo na maior parte de suas obras, entretanto o fantástico
nela prevalecia também. Nosso autor retratava muito bem os
camponeses normandos (Les contes de la bécasse, 1883);
a guerra de 1870 (Boule de Suif) e os pequenos
burgueses parisienses, no romance Bel Ami
(1885).
Seu
primeiro conto pessimista, La maison Tellier aparece em 1881.
Com relação ao fantástico, Le Horla (1887), exemplifica bem o
ser invisível e as manifestações do sobrenatural, entre tantos
outros.
Em Miss Harriet
ele nos apresenta um retrato da solidão do ser. Texto publicado
no Le Gaulois, de 9 de julho de 1883, publicado em coletânea,
no ano de 1884.
Trechos:
"Ela se
chamava Miss Harriet. Procurando um vilarejo perdido para ali passar
o verão, ela parara em Bénouville, seis semanas antes e não parecia
de forma alguma disposta a partir. Jamais falava à mesa, comia
depressa, lendo um pequeno livro de propaganda protestante.
Distribuía a todo mundo desses livros. O próprio pároco tinha
recebido quatro, levados por um moleque por meio de duas moedas de
comissão. Às vezes ela dizia à nossa anfitriã, de repente, sem que
nada preparasse essa declaração: "Eu amar o Senhor mais que
tudo; eu o admirar em toda sua criação, eu o adorar em
todo sua natureza, eu o trazer sempre em meu coração". E ela
entregava logo à camponesa surpresa uma de suas brochuras destinadas
a converter o universo." ………………………
" Pobres
seres solitários, errantes e tristes das mesas redondas, pobres
seres ridículos e lamentáveis, eu os amo desde que conheci aquele
ali.
Percebi
que ela tinha algo a me dizer, mas não ousava, e me divertia com sua
timidez. Quando eu partia pela manhã, com minha caixa sobre as
costas, ela me acompanhava até o fim do vilarejo, muda, visivelmente
ansiosa e procurando palavras para começar. Em seguida,
deixava-me bruscamente e ia embora rápido, com seu passo
saltitante."
………………………
" Depois
ela os retirou bruscamente, ou antes os arrancou. Eu o tinha
reconhecido, aquele arrepio, por
tê-lo sentido; e nada me enganaria a respeito. Ah! o arrepio de amor da mulher, quer ela
tenha quinze ou cinqüenta anos, quer ela seja do povo ou do mundo,
me vai direto ao coração que nunca hesito em compreender. Todo seu
pobre ser tremera, vibrara, desfalecera. Eu o conhecia. Ela se foi
sem que eu tivesse dito uma palavra, deixando-me surpreso como
diante de um milagre, e aflito como se eu tivesse cometido um
crime."
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